Estação de Tratamento de Água: como tratar 1,1 mil litros por segundo

Estação de Tratamento de Água: como tratar 1,1 mil litros por segundo

Fotos: Vinicius Becker (Diário)

Imagine um caminho invisível percorrido todos os dias por milhares de litros de água até chegar à torneira dos santa-marienses. Antes de ser própria para o consumo, essa água passa por um processo rigoroso, técnico e contínuo na Estação de Tratamento de Água (ETA) do município, também operada por profissionais da Corsan. Tudo começa com a entrada da água bruta – aquela que vem das barragens. Chegam na estação, em média, 1,1 mil litros de água por segundo, mas esse número pode variar. Durante a noite, por exemplo, quando o consumo diminui, esse volume cai para cerca de 800 litros por segundo, suficientes para manter o abastecimento da cidade.

– Aqui é o primeiro processo da estação de tratamento de Santa Maria – explica a coordenadora do laboratório da ETA, Kellen Anschau, ao apresentar o início do percurso da água bruta.

Água entra por essa estrutura; cada canal representa uma origem diferente


1ª etapa: química em ação

Assim que chega à estação, a água ainda está longe de ser potável. O primeiro passo é a dosagem de produtos químicos, definida a partir de análises feitas a cada hora. Entre os produtos utilizados, estão o sulfato de alumínio, que atua como coagulante, e o carvão ativado. O carvão é usado especialmente quando a água apresenta maior presença de matéria orgânica.

– O carvão é utilizado quando a água vem do manancial com matéria orgânica presente. Ele ajuda a evitar odor na água tratada – explica Kellen.

O carvão é inserido na entrada da água na ETA


Floculação

Depois da dosagem química, começa um processo que exige tempo e paciência. Na coagulação, as partículas de sujeira se unem ao coagulante. Em seguida, a água segue para a floculação, etapa realizada em tanques onde válvulas provocam uma leve turbulência. Esse movimento faz com que as partículas colidam entre si, formando flocos cada vez maiores.

– Um floco acaba grudando no outro, o que faz com que ele fique mais pesado e ajude no processo de decantação – diz.

Água passando pelo processo de floculação


Decantação

Com os flocos formados, a água segue para grandes estruturas que lembram piscinas: os decantadores. A ETA conta com cinco decantadores, cada um com capacidade para 2,3 mil metros cúbicos de água (2 milhões e 300 mil litros). Neles, os flocos de sujeira descem lentamente até o fundo, formando um tipo de lodo. Já a água mais limpa permanece na superfície, de onde é recolhida e encaminhada para a próxima fase.


Filtração

A água então passa por 15 filtros. Ela entra na estrutura e passa por camadas de areia e pedregulho, que retêm qualquer resíduo que ainda tenha escapado das etapas anteriores.

– Flocos que acabam chegando até essa etapa ficam retidos nesse material – pontua Kellen.

Após a filtração, a água entra em uma etapa fechada do tratamento. Em tubulações, ela recebe cloro, utilizado para eliminar bactérias e microrganismos patogênicos, e flúor, adicionado conforme exigência da legislação e fundamental na prevenção de cáries. Somente depois disso, a água está, de fato, pronta para o consumo. Ela passa por um rigoroso processo de análise antes de ser liberada.

Aqui ocorre o processo de filtração


Reservação e distribuição

Finalizado o tratamento, a água segue para um reservatório, de onde partem as adutoras – grandes tubulações responsáveis por levar a água até os bairros de Santa Maria. Ao todo, o sistema de abastecimento do município conta com 42 reservatórios espalhados pela cidade, sendo os maiores localizados na própria Estação de Tratamento de Água (ETA). Eles funcionam como uma espécie de pulmão do sistema, garantindo pressão e regularidade no fornecimento.

Todo esse percurso, do momento em que a água entra na ETA até estar pronta para distribuição, leva cerca de três horas. É por isso que, em casos de rompimento de adutoras ou interrupções no sistema, o retorno do abastecimento não é imediato.

– As pessoas acham que conserta a adutora e a água vai voltar. Mas até encher novamente esses blocos, é preciso colocar muita água. Cada decantador comporta 2,3 mil metros cúbicos. Quando a rede está vazia, a recuperação é gradual. É um processo trabalhoso – explica a coordenadora.

Kellen guiou a reportagem durante a visita a ETA

O cuidado, no entanto, não termina quando a água deixa a estação. Equipes técnicas acompanham todo o caminho percorrido até as residências, com coletas periódicas na rede de distribuição.

– Precisamos fazer coleta de rede para garantir que a água está adequada para consumo humano. Temos que assegurar que, na última casa que estamos abastecendo, a água esteja de acordo com os padrões de qualidade exigidos – explica a responsável técnica Kellen Anschau.

Análise da água é feita em diversos pontos da cidade para garantir a qualidade


Água passa por rigorosa análise

Análises da água são feitas em laboratório localizado na ETA

Na Estação de Tratamento de Água (ETA), o controle de qualidade é reforçado por um laboratório próprio, onde são realizadas as principais análises da estação. O monitoramento ocorre em diferentes etapas do processo: água bruta, floculada, decantada, filtrada e tratada. Entre os parâmetros avaliados, estão pH, cor, turbidez, alumínio residual e matéria orgânica. A análise da turbidez, por exemplo, é feita com a água colocada em uma cubeta específica. Em Santa Maria, os índices ficam em torno de 2 unidades de turbidez, enquanto a legislação permite valores de até 5, o que indica uma margem segura de qualidade.

Outro controle essencial é o do cloro residual. Nessa análise, um reagente é adicionado à amostra de água: na presença de cloro, o líquido adquire uma coloração rosada – quanto mais intensa a cor, maior a concentração. Atualmente, a água distribuída em Santa Maria apresenta cerca de 1,13 miligramas de cloro por litro, bem abaixo do limite máximo permitido, que é de 5 miligramas por litro.

Todos os dados gerados são registrados e armazenados, formando um histórico que permite comparações ao longo do tempo. Esse controle detalhado envolve tanto a entrada quanto a saída da água na estação e é acompanhado 24h por dia por profissionais da ETA e pelo Centro de Operações Integrado (COI), o que garante qualidade na água que chega a cada uma das residências.

Monitoramento é feito 24 horas por dia


Conheça o trajeto da água até a Estação de Tratamento: 

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